welllyra
 

 






















13/07/2004 09:23
Ai, que tristeza... SNIF, SNIF... Enfim, depois de muita resistência à descartabilidade consumista que nos assola o cotidiano, eis que Ele, Jesus Chisto, ou Misto, ou Disto ou Daquilo, resolve -- SNIF, SNIF!... (as lágrimas virtuais rolam em correnteza)-- desligar-se do seu inestimável blig para render-se às maravilhas do w*blogg*r. (BUÁÁÁÁÁ!!!)

A que ponto chegamos... Até template de sertanejo eu pus, sem querer, no meu bliguinho, tadinho... é muita maldade... mas foi necessário, meu amigo... é a vida...

Quero deixar aqui registrado, antes da derradeira despedida, a influência maléfica do meu quase irmão Thiago Cavalcanti Fraga, vulgo Verde da Net, e da minha quase filha Clara Peixoto, vulgo Cricka.com, e de tantos outros, que pioneiramente trocaram seus velhos bligs por novos e cheirosos w*blogg*rs(eca, é até difícil de pronunciar...). Esses indivíduos puseram seus w*blogg*rs( parece palavrão) no ar e seduziram o Filho do Homem com sua tecnologia e fácil acessibilidade.
Pelo nome do Senhor, que isso nunca mais se repita! Saravá!
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Taí o endereço do infeliz(já nasceu injuriado):
www.welllyra.weblogger.com.br
enviada por welllyra



09/07/2004 13:07
ai, q merda... fui mexer na configuração e olha q boa bosta eu arranjei...
enviada por welllyra



06/07/2004 09:28
Parabéns para mim!
Parabéns para mim!

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(A comemoração de aniversário remonta às tradições agrícolas pagãs do período pré-cristão, quando então a vida era entendida como sucessivos ciclos de transformação. Hoje em dia, cabe até dizer que, quando se comemora um aniversário, na verdade dá-se graças a Deus por se estar ainda vivo...rs)

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E o meu presente pra mim, é claro, só pode ser:

Gota d'água

Chico Buarque
1975

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água

enviada por welllyra



02/07/2004 13:09
ponto 1: Josiane e eu estamos fazendo coisinhas muito bonitinhas de gesso, pra vender: peixinho, tartaruguinha, golfinho, “OM”, luazinha, luazona, estrelinha, violãozinho... está uma graça!

ponto 2: (Desculpa, Verde, mas é preciso falar no teatro...´Guenta coração!...srsrs) Pablito teve um insight durante o ensaio de Terça e propôs um montagem meio cubista de "Três vezes Nelson": fragmentou os contos e misturou-lhes a sequência, de modo que só se saberá o desfecho no final de tudo, e não mais em blocos inteiros, como era antes. Sábado a gente põe em prática.
ponto 2.1: A Companhia Municipal (ao menos sua parte teórica, que fique claro) agora só depende da discussão, avaliação e redação do Estatuto e Regimento Interno. Um grupo —eu, Bruno, Phelipp, Rádima, Josiane e Róbson-- tem estudado o material que Pablito organizou, e depois haverá a apresentação e discussão com o pessoal. Tá quase lá...
ponto 2.2: “Dona Dengosa” tem rodado pelas escolas, o que é essencial para se formar o tal público teatral, que tanto perseguimos aqui na cidade. Palmas e Merda para Virginea, Phelipp e Bruno!

ponto 3: A propósito, Nathalia, não sou culto, sou é curioso e gosto de fuçar as coias...(rs)

ponto-e-vírgula: Se pudesse me apaixonar agora, apaixonar-me-ia por Mirna. Ela (vc) tem alguma coisa especial...sei lá... alguma coisa não-coisa, alguma coisa estranha e no entanto familiar... algo de profundo, misterioso, sabe? Mirna é uma peça valiosíssima; cuidem bem dela, heim!

reticências: Clara...
Distante...
longínquas maõzinhas macias
no meu colo
lá longe, lá frio...
Dia desses chorei muito no chuveiro, chorei compulsivamente, pensando no buraco que é sua falta na minha vida, minha pequena... Sem ti não há sentido em quase nada, e o que faço é só ocupar meu tempo com o maior número possível de coisas que me distraiam, me entorpeçam os sentidos, me inebriem a mente... (Tá vendo, Nath, a origem da minha “cultura”? Quanto mais coisas para me ocupar, tanto melhor: sofro menos, ou “sofro melhor”...) Por que não brotas do chão de meu quarto à noite, enquanto durmo, e me acaricias a barba, pra depois voltar pra tua cama? Ai, filha, esse mundo é desumano e vazio sem tua mão no meu rosto, sem tua presença leve... Vou aos poucos, arrastando, e te espero ver a cada abrir de olhos.

ponto 4: Todos vocês estão convidados para a comemoração do aniversário do pessoal de Junho-Julho (Monstro, 22/jun; Álvaro, 02/jul—Hoje! Já até lhe dei os parabéns, antes de todos vocês... às 5 e meia da matina, ai, ai...; eu, 06/jul; e Verde, 25/jul), ainda sem data certa e provavelmente em Paulo Falcão. Vale ressaltar que se trata de uma festa americana, ou melhor, latino-americana, então galera, vamos juntar um troquinho pra contribuir porque a coisa tá feia!...(rsrsrs) Verde vai distribuir os “convite-ingressos” assim que estiverem prontos, beleza?

ponto 5: Rodrigo Maia vem aí, dia 13! Boas vindas ao meu “poeta companheiro”, o filho pródigo que (mais uma vez) retorna à terrinha!

ponto final: Viva Chico Buarque de Hollanda e seus 60 anos bem vividos! E que ele, assim como tantos outros, nos sirvam de exemplo para levar a vida. Ou você acha que está na Terra só pra passar e dissolver-se no esquecimento? Mãos à obra, temos muito o que fazer por nós mesmos!

Prefácio do "P.S.": P.S. no final da carta quer dizer "post script", pós escrito. E isso eu deduzi sozinho, sem pesquisar!

P.S., ele mesmo: Viva também a Adriana Calcanhoto (em escala muito menor que o Chico, é óóóbvio...), que hoje toca em Friburgo (já tô lá!). O disco "Cantada" é uma coisa de bom.

Bjos pra todos!
enviada por welllyra



24/06/2004 13:18
Tenho escutado muita música latina (cubana, chilena, argentina, peruna-- a Yma Sumac é demais!--, tem tb um cd do Caetano só com músicas assim...), estou adorando! Isso ainda é influência do "Diários de Motocicleta"... esse filme muito me abalou(no melhor sentido da palavra). Comprei um cd com poemas e canções do Federico Garcia Lorca, chileno, e este, então, ouço todo santo dia.

Tenho lido Ferreira Gullar, poeta brasileiro, "o último grande poeta", como disse Vinícius de Moraes a seu respeito. Tem um poema chamado "Dentro da noite veloz" (alguém conhece a música da Calcanhoto com esse verso?), enorme, que vou publicar aqui para os mais leitores dos visitantes remanescentes (aliás, nem sei mais quem ainda visita meu blig...Essa desvalorização repentina por grande parte da galera vai levar a IG à falência...rsrsrs), fala sobre a captura e morte de Che Guevara. É muito bom. Aliás, estou vendo q o Gullar é fantástico...

Fora isso tenho produzido arte plástica com certa frequência, gesso, pintura em tela, pintura em objeto... Ensaiamos "Três vezes Nelson" para tentar os festivais de Caxias, Macaé (Ave Cebolinha!) e Angra; a produção desta vez esta bem interessante, cuidada, com escolha de figurino antes mesmo dos ensaios, anotação da geografia de cena, laboratório com filmes, peça de teatro em Copacabana(ainda vamos)... parece até teatro de gente!...

Depois volto...
enviada por welllyra



07/06/2004 18:17
*** Recados p´ros "artistas" de Cachoeiras (pelo menos para os do nosso circuito...): As discussões políticas na faculdade a respeito da função da Arte, têm alvoroçado em mim proto-projetos para a cidade, que visam valorizar nossa cultura ( abaixo a ideologia comercial!) e levar a todos o contato e deleite com as diferentes expressões artísticas. *** As idéias partem de situações simples, essencialmente plásticas, das quais destaco estas: a introdução de objetos de arte na paisagem urbana, como por exemplo painéis em muros e paredes escolares externas ( sem repetir, pelamordedeus, aqueles antigos murais irritantemente figurativos e destituídos de sentido que se costumava fazer no Carlos Brandão...); arte nos postes de iluminação publica, cobrindo-os por completo com, por exemplo, grafites; desenhos ( gravuras, mapas, símbolos etc.) no chão de certos "lugares de passagem", como a rodoviária, as praças, certas calçadas; obras escultóricas que pudessem, de alguma forma, compor um ambiente ou evocar algumas características de nossa cultura ( esportiva, agropecuária, artística, natural ), por exemplo, réplicas de cachoeiras ( alguém conhece o horto no centro de Japuíba?), estátuas de montanhistas, ou elementos-sínteses, como as duas personas ( máscaras ) de Teatro, intrumentos musicais, e quaisquer outros que representassem a Dança, a Pintura etc.
*** Isso a princípio pode soar estranho ou de alguma forma parecer apenas empolgação de quem estuda Artes, mas tenho discutido com frequência um fenômeno que está acontecendo em nossas sociedades atuais, que é a desvalorização e a banalização da Arte como fruto da expressão social. Não se produz mais objetos artísticos para compor ambientes ( falo aqui do caso particular de cidades como Cachoeiras ), e daqui há alguns anos o que nossos sucessores vão contemplar nas ruas e praças? Prédios meramente funcionais, sem nenhum valor estético? O que nós, enquanto agentes de cultura, vamos deixar para o deleite e estudo dos nossos netos? O que é uma sociedade sem cultura? *** A idéia está lançada, em breve continuarei expondo meus objetivos. Interessados, mentes à obra!
( Se falamos numa sociedade igualitária, por onde devemos começar? Culpando o governo? Essa foi a melhor forma de nos podar: pôr toda a responsabilidade nas MÃOS DOS POLÍTICOS. O capitalismo é sombrio demais; é hora de abrir os olhos!... )

enviada por welllyra



25/05/2004 12:20
Texto d'um poeta português que me marcou fortemente em minha vinda pra cá(o q me marcou foi este texto, e ñ propriamente o autor)(Ele me foi enviado por e-mail pela Sónia, mulher do Emídio, pai das meninas)

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade



enviada por welllyra



19/05/2004 13:01
Gente, o curso de Artes é tudo!
Faz não só mexer com a sensibilidade artística (e descobri que ela estava muito enferrujada...), mas também (e às vezes principalmente) com a consciência crítica e o pensamento político. É fascinante ver como algo aparentemente estético, decorativo, representativo, na verdade pode revelar de forma surpreeendente a realidade em que se vive, os conflitos internos, os problemas sociais, os avanços e atrasos humanos, as tendências psicológicas de toda uma sociedade, seus valores... e pra isso não é preciso nem falar sobre esses temas(ou desenhar, ou representar...). O modo pelo qual a arte nasce, seus propósitos, os materiais usados (matéricos e psíquicos), as entrelinhas, a vida pessoal do artista etc., tudo isso revela o mundo SEM MESMO falar SOBRE o mundo.
A Arte é a Psicologia, é a História, é a Sociologia, a Física, a Ética, a Metafísica, as paixões, as dúvidas, as percepções, tudo ao mesmo tempo, e nas suas vertentes práticas. (ai, estou emocionado...!)
*****************************************************
Perdoem-me aqueles que me percebem mais fechado, ou disperso, ou mesmo mais arrogante; não faço por mal, mas há toda uma movimentaçao íntima que me transforma por dentro e me faz reavaliar muitos conceitos("convenções"...) que eu havia aprendido. Ainda não posso racionalizar essas idéias, mas sinto que este curso vai me modificar profundamente, e bem aos poucos...
(Aguarde e confie!)
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Ah, oi Nathalia!, vi tua mãe ontem lá perto do Centro Cultural Banco do Brasil. Levei um susto!("O que a dona Marluce tá fazendo aqui??") Beijão, minha querida pequena!
-----------------------------------------------------
"Pessoa Misteriosa", creio conhecer-te muito mais do que me parece, e sei que não vais identificar-te mesmo, então só peço que continue postando; gosto do teu jeito de escrever, é um discurso bem consciente.
####################################################
Tchau p`rocês!!

...

enviada por welllyra



05/05/2004 21:57
Gente, vcs não têm noção do que é Jesus fazendo aula de dança!...
Que coisa boa movimentar o corpo!... Aquela professora tranquila, com uma presença notável no ambiente de aula...(sem trocadilhos, por favor) E fazer borrões pretos no papel na sexta-feira, que maravilha que é! Esse curso está fazendo um bem danado ao meu lado "complexo-inconsciente-sensível", além das andanças pelo Rio-- a arquitetura antiga do centro da cidade, o passeio diário de barca-metrô-ônibus, a limonada no Largo da Carioca, a música no walkman(Rádio MEC de manhã e MPB FM à tarde), o Centro Cultural Banco do Brasil, o tamanho e infinidade de possibilidades da universidade, enfim, tudo dessa nova correria me faz bem(desgasta muito, mas faz bem...)
Bem, foi só pra dizer que não abandonei meu blig; bjos pra todos!
enviada por welllyra



29/03/2004 22:16
ATUALIZAÇÕES PÓS-REVERTÉRIOS DA VIDA:

Se vc está lendo isso agora, obrigado pela ombridade em não me abandonar mesmo depois de tanto tempo sem merda nenhuma nova no blig...Isso é que é amigo!
Bem, vamos às novidades:

1... Comecei a trabalhar em Niterói, como professor de primeira série..."Tio Jesus"!!!(Já estou até vendo...) O contato com os alunos começa nesta quarta-feira. Estou muito contente com essa idéia, a escola é ótima, cheia de propostas pedagógicas inovadoras -- Nonô iria adorar!

2... Comecei a namorar na útima quinta-feira!!! (Isso é bem legal!) Josiane é uma pessoa muito especial(tinha de ser mesmo, para encarar uma maluquice dessas...eu) Estamos curtindo à beça, é muito bom ter alguém que se gosta conosco...

3... Ah, tá bom de novidades, essas duas já me bastam para compartilhar com vcs a minha alegria. Estou vivo novamente!(E olha q isso me custa a acontecer...)

#... Bjos pra todos!

enviada por welllyra



16/03/2004 21:45
Letra de "Unforgiven" na nossa queridissima lingua!
(Eu ainda nao conhecia, acreditam7)
(Q falta de conduta de um fa numero um...)
(Ah, vem ca, quem eh a pessoa misteriosa q fez coment sem identificacao nao post anterior77 Bateu curiosidade...)
(Bjos pra Nath e Clara!!)

Não Convidado
(Alanis Morissette)


Como qualquer uma estaria,
Estou lisonjeada por sua fascinação comigo.
Como qualquer mulher de sangue quente,
Eu tenho simplesmente ansiado por um objeto para desejar.
Mas você, você não é permitido,
Você não é convidado,
Um desprezo infeliz.

Deve ser estranhamente excitante
Observar a torção estóica.
Deve ser levemente animador
Observar pastor reunir-se a pastor.
Mas você, você não é permitido,
Você não é convidado,
Um desprezo infeliz.

Como qualquer território não explorado,
Eu devo parecer imensamente intrigante.
Você fala de meu amor como
Se tivesse experimentado amor como o meu antes.
Mas isto não é permitido,
Você não é convidado,
Um desprezo infeliz.

Eu não acho que você seja indigno,
Eu preciso de um instante para ponderar...
enviada por welllyra



10/03/2004 13:46
PRA QUEM GOSTA DE MUSICA BOA(EM ESPECIAL P/ thiago verde)

Cálice
Gilberto Gil/Chico Buarque - 1973

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

De muita gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

enviada por welllyra



27/02/2004 21:42


Alguém aí sabe o que é a solidão?

Sei que sabem, posso até citar nomes de conhecidos.
Sei que não é fácil.
Sabemos disso. Todos nós que sabemos.

É clichê demais (alguém sabe o q é "clichê"? Não??! Ah, pelo amor de Deus...) dizer pra quem se sente sozinho que "não é pra ficar assim, você tem muitos amigos...", "Olhe à sua volta e vê quanta gente te ama...", "Isso é passageiro, é só carência..."...

Não funciona assim.
Você não convence, simplesmente, uma pessoa solitária de espírito usando explicações racionais, bem detalhadas e cheias de lógica. Não é uma questão de desconhecer as dádivas à nossa volta. É uma questão de sabê-las, e não se contentar com elas, não se saciar com a beleza e grandeza disto; porque isto é belo: há gente que não tem amigos. Há gente que não tem com quem conversar. Mas quem vive a solidão e é cercado de amigos, este sofre mais, pois é uma ilha em meio ao oceano (Thiago deu-me esta descrição certa vez, e eu adoro), é uma peça deslocada na máquina social-- peça esta que sabe o seu valor, e sabe que tem muito valor, mas... do que isso adianta, se esta consciência não lhe completa?

De que adianta sentir-se amado e não conseguir amar?
Tentar, mas não conseguir amar de verdade.

O verdadeiro amor é privilégio de poucos.

O que chamamos de amor, de felicidade, geralmente é algo que apenas nos satisfaz por uns instantes, mas logo se acaba. Como não experimentássemos algo maior, mais intenso, contentamo-nos com tão pouco.
Eu vivi algo muito forte.
E agora é difícil querer pouco.
Dói.
Dói sempre, e devagar.
Uma dor que se instala e apodrece tudo por dentro, deixando uma enorme mancha negra que tenho medo de mostrar, e sofro em silêncio, como amo em silêncio, como tudo em minha vida se faz: silenciosamente. Amargamente.

Bruno Leandro lembrou-me bem dia desses: "Ninguém é feliz tendo amado uma vez". Raul Seixas estava certo.


...Mas, só pra saber, eu torno a perguntar:

Alguém aí sabe o que a solidão?


enviada por welllyra



18/02/2004 00:19
Ai, q vidinha pacata de canceriano... Tô zuretinho, zuretinho...
enviada por welllyra



09/02/2004 12:43
"O TÉDIO NÃO ESTÁ NO MUNDO, MAS NA MANEIRA COMO VEMOS O MUNDO."

QUANDO eu tinha lá meus treze ou quinze anos, vivia amargurado com a vida, não via graça em nada do que eu fazia -- o mundo era todo uma coisa sem sentido, um lugar onde eu definitivamente não queria estar. Pensava em morrrer a todo instante. "Assim", pensava, "não sofreria mais".
____Nesta época eu havia completado a catequese, que não havia sido uma experiência muito satisfatória. Desenvolvi uma revolta generalizada contra a Igreja, contra Deus, contra tudo.
____Um dia, conheci Gabriela, que veio do interior estudar a oitava série comigo. Tornamo-nos grandes amigos. Ela descobriu comigo um lado mágico por trás da falsidade das pessoas, por trás do tédio que preenchia nossas vidas; descobrimos aquilo que passamos a chamar de MISTÉRIO.
____O Mistério era o que nos fazia rir, enquanto nossos amigos e familiares brigavam, enquanto as pessoas choravam à noite e tinham medo dos deuses em que acreditavam.
____O Mistério tornou-nos pessoas muito especiais, e em pouco tempo conquistamos muitos amigos e admiradores, e as pessoas se apaixonavam por nós. Eu, que nunca levei jeito para as coisas do coração, transformava toda paixão em amizade, e acabei aprendendo a ser sozinho. Ela, por outro lado, aproveitou bastante seus amores.
____Entendemos finalmente que o Mistério era aquilo que todas as pessoas procuram aqui na Terra, aquela sensação de que estamos sendo guiados para um lugar muito belo, aquela sensação gostosa de acordar sorrindo depois de ter sonhado com a pessoa amada, aquele brilho nos olhos daquela pessoa que tanto amamos, aquele vento suave que nos refresca em dias quentes...
____Éramos apaixonados um pelo outro. Completamente apaixonados. O Mistério tinha também um outro nome: Amor. Porém, nunca nos tocamos com desejo; nunca nos beijamos. Só três anos mais tarde é que assumimos um para o outro nossa admiração mútua. Se houvéssemos nos declarado na época, talvez estivéssemos juntos até hoje... quem sabe? Gostávamos tanto um do outro que escondemos nossa verdade para não correr o risco de assustar um ao outro. E foi assim que aprendi a amar: em silêncio.
____Hoje em dia eu posso dizer que não fiquei com muitas mulheres, mas conheci de perto a alma de muitas delas -- o que por vezes nem seus namorados conseguiram fazer. E sou grato por ser solitário, porque sozinho eu aprendi a ouvir as pessoas e o mundo, e pude escutar os sussurros de Deus.
____ELE, de vez em quando, vem pra perto de mim e diz, baixinho: "Esquenta não, isso faz parte do Mistério".
___________________________________________________________________
CONTINUO a achar a Igreja chata, Deus um cara muito complicado e o mundo um imenso hospício; continuo a ser depressivo; continuo "sozinho"; continuo com todos os problemas de sete ou cinco anos atrás, mas agora com uma diferença: agora eu compreendo que a vida segue um rumo invisível do qual podemos ter conhecimenteo se quisermos; vejo que os acontecimentos "bons" ou "maus" são apenas características comuns à nossa trilha evolutiva, assim como placas e curvas numa rodovia; entendo que ninguém é dono da verdade e que estamos todos aqui para errar e acertar, tentar e aprender... Agora -- essa é a diferença -- eu posso sentir o Mistério.

"A felicidade, às vezes, é uma bênção, mas geralmente é uma conquista."

____Wellington Lyra__08 de Fevereiro___________
enviada por welllyra



04/02/2004 23:01
" ...E QUALQUER DESATENCAO, FACA NAO -- PODE SER A GOTA D AGUA."
(Chico)
enviada por welllyra



03/02/2004 12:08
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das maos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedacos do que havia loica no vaso.

Asneira? Impossivel? Sei la!
Tenho mais sensacoes do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamentto de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que ha debrucam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Nao se zangam com ela.
Sao tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, nao conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes a criada involutaria.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois nao sabem por que ficou ali.

Alvaro de Campos (FERNANDO PESSOA)


enviada por welllyra



01/02/2004 00:02

enviada por welllyra



31/01/2004 16:21
Quem é vc? (texto de 2001, reeencontrado hoje na agenda de uma amiga das antigas)

Eu sou Wellington de Almeida Nogueira Lyra, um nome q me foi imposto por meus pais num momento em q ñ podia escolher nada, nem nomes. Eu sou um nome, meu nome.
Também sou uma data, ou pelo menos fui uma data(06 de Julho de 1983), coisa q tb foi imposta -- pois ñ fui eu qm criou o calendário cristão atual. E foram meus pais os q resolveram me gerar, eu nem tinha consciência de mim mesmo... Sou um nome e e uma data.
Sou um corpo. Sou minha própria carne, meus ossos, meu sangue e meus sentidos. Uma consistência física q cresce com o tempo, aprende com a vida. Ele é o veículo q conduz meu espírito, porque, além de ser carne,
Eu sou uma alma. Posso sentir a essência das coisas à minha volta sem nunca ter-lhes estudado ou mesmo visto. Sou capaz de ler olhares e escrever sobre o espírito das pessoas e lugares; de criar imagens mentais tão belas como anjos(pois já vi os anjos), de amar sem querer nada em troca, de acreditar em Deus sem ter provas; tudo isso pq eu sou uma alma. Sou uma alma q passeia num corpo e sou um corpo cheio de datas e nom es.
Eu sou todos à minha volta, sou cada sorriso e cada lágrima de quem me cerca -- pq sou o reflexo de cada desgraça e cada benção do mundo; eu sou o mundo. Eu sou os nomes do mundo e suas datas, sou os espíritos das pessoas do mundo e conheçço seus corpos.
Eu sou Deus, pq Dele tudo partiu e foi criado, e para Ele tudo há de retornar. Tudo é Deus. Eu sou parte disso, eu sou parte de tudo: eu sou Deus.
Eu sou.
enviada por welllyra



29/01/2004 23:17
Tanto mar

Chico Buarque
1975

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim


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¹ (primeira versão)
Letra original, vetada pela Censura;
gravação editada apenas em Portugal, em 1975
enviada por welllyra



27/01/2004 13:54
"NAVEGAR É PRECISO
VIVER NÃO É PRECISO."
(Caetano Veloso, "Os argonautas")

Esse poema explica-se por si só, não precisa de maiores apresentações...

--Ode (ou ódio) ao mar--

Eu odeio o Atlântico
bloco de concreto azul
muro de um milhão de metros
que destrói os sonhos

Se do lado de lá,
Aqui é o mundo perdido,
A estar aqui,
é lá que se esvai a vida.

Este oceano maltratou-me dos dois lados
-- Maldito mar!
Carcereiro das nações amigas
Carrasco desta língua irmã
Inferno gelado onde jaz meu espírito
onde morrem os projetos
onde perde-se o amor
enlouquece

Eterno inverno!
Deserto eterno!
Monstro marinho!
Tritão fascista!
Netuno frio!

A distância é o demônio mais perverso que já vi
O mais real
O que me leva mais longe
Está presente nas cartas para a Rua da Saudade
E na espera pela ligação ligeira
Está nas canções e nos poemas
Nas pessoas-- como está presente
Faz de mim um singelo barquinho
num oceano aborrecido e feio.

Welllyra, 16 de Julho/29 de Setembro de 2003.
enviada por welllyra



21/01/2004 00:01
Vc teria coragem de defender um ideal até a morte?


enviada por welllyra



20/01/2004 18:56


ESCREVI ESTE POEMA QUANDO MINHA MELHOR AMIGA ESTAVA BRIGADA COMIGO... SOU MUITO SENSIVEL A ESSAS COISAS! FUI A BIBLIOTECA MUNICIPAL VER SE ME DISTRAIA UM POUCO COM OS LIVROS, MAS NAO DEU... ( Nath, eu falei que este seria "pior", vc vai ver!...)
(Ah!, visitem o blig de reinan, ele tem poesias otimas!)

(Tratado sobre minha propria depressao)

Nao tenho vontade para nada
Nem vejo o que meus olhos me mostram
Finjo estar vivo, mas nao estou
A chuva chata perde seu poder de me deixar em transe
A janela me grita O que era bom agora te perfura, e a teus timpanos!
E respondo Nao importa! Ao meu lado bons amigosa me vigiam
Suas paginas me esperam cada vez que estou sedento.
Noto tambem, na garganta dda janela, uma arvore que cresce toda vez que tenho medo,
E tambem o muro assim cresce,
E meus amigos-livros me assustam ja tao grandes, intocaveis,
E a janela escancara sua volupia e me mostra seus dentes, podres e assustadores, enormes,
E tudo parece querer se alimentar de minha fragil idade!
Apodreco em minha pequenez
Meu sangue empoca o assoalho e a estante
E de tao pequeno quase me afogo na vermelhidao
Suspiro vez em quando a superficie,
E dificil...muito dificil...
Uma vez mais sinto o ar metalico salgado,
Tudo e tao vermelho...Meus olhos...que ar
Um passaro...um tunel...os olhos...
Uns livros...meus passos...que luz
...
...
" Loucura."
E este o outro nome para morte
Nao sei. Nao vivo.
Afundam com meu corpo minhas crencas,
Minhas rekigioes todas elas e seus santos e deusas, e seus livros
Afundam todos os livros e suas estantes e dicionarios
Afundam todos os meus poemas e tardes de preguica
Afunda minha visao de mundo, o mundo, meu mundo
Afoga meu mundo meu sangue
A janela, a chuva, o chover, o olhar pela janela
A arvore grande, o crescer, o chorar da chuva e o meu,
As coisas que penso sentir afundam com meu corpo,
E o proprio corpo se recusa a ter-me como dono,
Chamando-me indigno e podre, ou pequeno.

Vejo tudo do alto de onde escrevo tudo isso
Observado pela chuva e pela janela e ladeado por livros
E penso na minha grandeza que teima em escrever esse poema
E pensar nessas coisas estranhas,
Tao estranha essa grandeza!
Ela sabe que faco por querer, essa reducao de mim mesmo,
Mas minha visao mediocre nem da bola para q que e certo, e ate concordo com eu mesmo, o mediocre.

O horizonte me mosttra ainda umas sete paginas, ou um livro,
Mas sou tao debil que me privo de criar obras que se valha a pena ler.
Sou tao ridiculo que sacrificarei minha arte e estancarei o sangue escorre dos meus olhos enquanto escrevo essas palavras
Minha pequenez me e maior que minha verdade.
Estanco minha vida.
Tem raiva de mim, e sei.

Wellington de Almeida Nogueira Lyra, 18 de Junho de 2001

enviada por welllyra



15/01/2004 22:05
Explode minha cara
de vergonha
e me mostra
a quem quiser
Escrevo no escuro
de um quarto afastado
porque o choro
de há pouco
é covarde
e infantil.
Rebenta no meu peito
o meu peito,
não há leito
que acalente
o meu pranto
e desespero
Sou tão lento...
Sou tão pobre
tão ingrato...
Não quero ninguém
nem vê-los
Estou com medo
e adormecer
é minha fuga
e só não o faço
porque é triste
o meu fracasso.
Por quanto tempo
agirei assim?
a esconder-me de mim mesmo
em palavras negativas?
o que de tão demoníaco
movimenta-me?
por que?
por que choro
e desconforto?
Maldição?
own opinion?
angoscia?
defecto?
une humidité ambiante elevée?
Hitze?
Onde estou?

Wellington de Almeida Nogueira Lyra
23 de Abril de 2003
( mas serve pra agora...)
enviada por welllyra






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